Engenheiro Alberto Rodrigues de Sá, 266, Centro.

Que tal economizar um clips?

Por anos a fio economizar um simples clips* era uma banalidade. Mas o país entrou em
colapso, seja ele gerado pela má gestão, desvios de verbas ou diversos outros motivos,
isto é real e precisa de solução. Então vem a mente o clips.

A maneira com que as coisas são valorizadas na administração pública é um enorme
paradoxo. Acredito que a folha de pagamento de um município pequeno fique em torno de R
$500.000,00 (quinhentos mil reais) a R$1.000.000,00 (um milhão de reais). Nem sonhamos
atingir os valores licitados em obras públicas. Mas então porque não comprar o clips?
Porque economizar na caneta, no lápis, na borracha, em produtos de limpeza? Por causa do
colapso! E não é questão de sucatear o serviço (e nem mesmo o servidor). Trata-se de
cortar o mal pela raiz. Porque o clips é tão banalizado que se cair no chão é varrido
para o lixo e nenhum processo administrativo é aberto para verificar o desperdício do dinheiro público.

Pode ser exagero. Mas a época é sim de exagero. É época de lembrar que cada milhão é
feito de Reais e que cada Real é feito de Centavos. Isto é, muitos clips.

Se isso justifica o desvio e a falta de caráter de muitos dos nossos gestores? Não. É
bem provável que se todo o dinheiro desviado fosse devolvido e a atuação de todos fosse
moralizada não seria necessário lembrar do clipe… mas não adianta “bater cabeça” e não
resolver o problema. Não adianta reduzir o tempo no atendimento da saúde e deixar que os
profissionais não cumpram seus horários; não adianta parar obras e despejar milhares de
litros de detergentes pelo ralo da pia; e não adianta jogar o clips fora porque é só um
clips. Olhe quantas obras são iniciadas e paralisadas e quando se pensa em continua-las
já se tem que iniciar novamente porque o que foi feito já não presta mais.

Economizar um clips já é um começo!

*Clips: pequeno pedaço de metal ou plástico que serve, inicialmente, para prender papel.
No texto, uma referência. Poderia ser uma borracha, uma assinatura de jornal
desnecessária ou um minuto de hora extra realizando o trabalho que poderia ter sido
feito no tempo normal da jornada.